Hora de comer, ou não

Eu não sou mãe, nunca tive que educar outra pessoa, muito menos uma criança, mas tem coisas que o bom senso e observação me dão o direito de observar e criticar.

Esclarecido isso, vou à cena que vi hoje no Mc Donalds.

Uma mãe e uma filha, de uns 4 anos, almoçando. Quando sentei, a criança brincava com o balão que ganhou lá e a mãe falava ao celular. A filha deixou o balão cair na mesa vizinha, foi lá, buscou, a mãe continuou ao telefone, olhando para todos os lado menos para a pequena Luisa Luiza, Elisa, Lisa, ou qualquer coisa com esta sonoridade que voltara à mesa com seu balão. Ela largou e começou a brincar com o brinde do Mc Lanche Feliz, derrubou o brinquedo, foi pra baixo da mesa e pegou. A mãe ainda no telefone. A mãe desligou, pegou o sanduiche, esticou pra pequena que deu uma mordiscada. Pouco depois, ela ofereceu o sanduiche novamente, mas a criança estava entretida demais para comer.

A mãe pegou seu iphone, discou e voltou a falar com outra pessoa que não sua filha. Luiza derrubou de novo o brinquedo. Dessa vez a mãe, ainda ao telefone, tentou proteger a cabeça da filha. Depois a garota derrubou o brinquedo mais uma vez, aí a mãe foi ela mesma buscar. Sem desligar. Enquanto isso, oferecia o sanduiche vez ou outra, e vez ou outra ele era recusado pela garota. Não a culpo, afinal aquele espelhinho era muito mais legal que carne de minhoca!

Liza estava certíssima em seu papel de criança, querendo brincar, faltou à mãe dizer que hora de comer é hora de comer, e depois é hora de brincar. Mas acho que a mãe mesmo não sabe a diferença da hora de ficar com sua filha para a hora de falar ao telefone.

11 comments

  1. Wagner · November 6, 2009

    Bom, eu acho que o “gunvernu” devia exigir algum tipo de exame pra uma pessoa poder ter filhos. :D

    Pode ser “vermelho” demais isso, mas evitaria aberrações e futuras pessoas vazias.

  2. Andréa Hiranaka · November 6, 2009

    Que triste isso não?
    É fácil reclamar de falta de tempo, mas pouca gente pensa em aproveitar o tempo que ainda resta.
    Note to self pra nunca fazer isso com filho meu.

  3. Lucia Freitas · November 6, 2009

    Dá-lhe Mafrinha! Pequenas observações do cotidiano são sintomas de doenças muito maiores não? Afinal, ter filhos não é por desejo, esta mãe é um retrato da obrigatoriedade de procriar, IMO…
    (adorei o lay novo)

  4. ana cláudia bessa · November 6, 2009

    Elisa,
    Infelizmente, essa ainda é a realidade da maioria. Não é fácil tocar a vida profissional e ser mãe ao mesmo tempo. Eu nem tentei. Quis poder sentar com eles, brincar, almoçar, levar na escola. Mas não pense que assim foi mais fácil. Fui muito cobrada por mim mesma e pela sociedade que não aceita que uma mulher “retroceda” a direitos adquiridos com tanta luta por igualdade. Existem vários tipos de família e existem vários tipos de mulheres e de maridos. Mas o fundamental se resume no que você falou: Nem todos deveriam ter filhos. Ou deveriam escolher não tê-los. Seria mais fácil e melhor assim. Mas a sociedade cobra isso também: tenha filhos. Trabalhe fora. Seja competente. Magra. Linda. Boa de cama. E saiba cozinhar.

    Temos que ousar para fugir dos padrões sociais.

    Beijos!

  5. Angelo · November 6, 2009

    Isso é muito comum. As pessoas esquecem que os filhos não estão ali por mérito acaso.

    Acho terríveis cenas como esssas.

  6. Juju · November 6, 2009

    Post muito interessante, é horrível perceber como certas pessoas não deveriam ter filhos.
    Por mais que seja difícil conciliar a vida de trabalho com a vida de mãe, esses 20 min que ela passasse almoçando com a filha, podem ajudar no amadurecimento dessa criança.

    Bjs

  7. ceila santos · November 10, 2009

    Essa é a realidade da geração que faz cinquenta mil coisas ao mesmo tempo pq tudo precisa ser feito pra ontem…Triste, é verdade, mas puro cotidiano. E só mesmo lendo blogs atentos como esse que as mães podem “re-pensar” quantas vezes estão fazendo isso no seu dia-a-dia pq torna-se automático a correria e´, ás vezes, a mãe da Lisa até consegue se dedicar 100% a ela, mas só quando se cobra disso e nem percebe que tantas outras vezes o exemplo que dá é outro…Parabéns vou recomendar ( e continuar)seu post no nosso blog. Adorei!

  8. Roberto Camargo Pimenta Junior · November 10, 2009

    Ou pode ser que (só um comentário)… ela nem estava ao telefone, mas sim somente em uma simulação para que todos a vissem com o aparelho na mão. Já que esse também é um grande mau na sociedade, o poder e o status. #grandezafeelings

  9. Liliane Maturana · November 20, 2009

    Oi…Gostei do seu texto e quero dar minha opinião…com relação à mãe e sua filha comendo no Mac, posso te garantir que a menina estava super à vontade…talvez melhor do que se estivesse sendo monitorada para isso ou para aquilo. Crianças precisam ficar à vontade, sem muita chateação.Hora de comer, sim, em casa…no Mac é passeio mais tranquilo. E a mãe talvez fosse muito ocupada mesmo, mas arranjou um tempo prá sair c/ a filha.É o que me pareceu. Sou mãe de um casal e avó de duas pitocas que adoram o Mac.Bjs!

  10. Vanessa V. · November 20, 2009

    o pessoal anda tão preocupado consigo e suas questões, que deixam partes suas soltas por ai, sem atneção. tratam os filhos como se fossem pensamentos aleatórios.

  11. Pingback: Dupla Jornada

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