Adeus, e obrigado pelos peixes

Estudei a vida toda numa mesma escola (menos em Belo Horizonte, por motivos óbvios) desde o maternal até o 3º colegial. O maternal ficava numa casa bonitinha numa esquina de moema. Lá dentro aprendi a ler, escrever, brincar com amiguinhos e surgiram traços da minha personalidade que duram até hoje. Aquela casinha e seus tanques de areia contam parte da minha história e de muitas outras crianças. Ou melhor contava.

Quase vinte anos depois de sair daquela casinha eu comecei a ir a um bar de paredes verde-amareladas, com espadas, esfihas, Bigode e nerds. Lá o NOB chegou a seu ápice, gente que só se conhecia online ganhava corpo, voz e cerveja. Mas isso também acabou.


Antes do bar, mas bem depois da casinha eu comecei a ir pelo menos uma vez por semana ao cinema, do Cinemark ao Gemini. No meio dessa linha aquele cinema na Rua da Consolação, todo vermelho e bonito. Lá vi dezenas de filmes, e gostaria de ter visto muitos mais, tive conversas importantes, outras nem um pouco relevantes, comi pipoca, café da manhã, tomei coca cola, encontrei várias pessoas. Conheci várias histórias, sejam dos meus amigos, seja de um cineasta francês. Histórias boas, ruins, que gostei ou não. Mas agora essas histórias não serão mais contadas lá.

A escola virou padaria, o bar virou gráfica e esse ano o cinema vai virar loja.
Tudo vai virar lembrança, saudade, história. Toda vez que eu ou muitos dos cinéfilos de São Paulo descermos a Rua da Consolação sentido centro nosso coração vai apertar um pouquinho, lembrando de todas as películas que já correram pelos projetores e pensando que muitas dessas fitas estão desabrigadas, sem um cinema para exibi-las.

Assim como já agradeci ao El Malak, hoje agradeço ao Belas Artes por todas as sessões, diálogos, rostos e cenas. Muito obrigada.

Nos vemos mais uma, quem sabe duas, vezes para nos despedirmos numa última sessão.

3 comments

  1. Juliana · January 6, 2011

    Por morar mais longe (ZL Vida Loka) só aos meus tenros 18 anos fui ver um filme nos cinemas da Paulista. O filme era “Má Educação”, do Almodóvar, mas isso é o que menos importa, o cinema era o Belas Artes. Ali foi a primeira vez de muitas outras, foram filmes variados, de lugares variados, filmes bons, muito bons e ruins. Noitões, onde os filmes eram só um detalhe. Palestras com cineastas. Ou simplesmente um ponto de encontro de amigos.
    O Belas Artes, nos seus quase 70 anos de história era o melhor representante do conceito de cinema de rua, que cada vez mais vai se perdendo, infelizmente.

  2. Juju · January 6, 2011

    sem duvida alguma, vai fazer muita falta esse cinemao bonito, acolhedor…. mas parece que ninguem mais dá valor pra isso né? cinema de rua vai ser artigo rarissimo, de luxo (ou não…) pena…. mas vc escreveu lindamente, minha querida1 beijos e saudades!

  3. Gabriela Andrade da Silva · January 6, 2011

    Gostei do post, mas… o Cine Belas Artes vai fechar?! Nãããããão!!! :-(

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