Desrespeito é bom, e todo mundo gosta

pelo menos é isso que eu entendo observando o comportamento de muitas pessoas. Não vou nem falar sobre a relação dos motoristas com o resto do Universo, minha encrenca hoje é com os usuários do transporte público em relação aos usuários do transporte público.
Vou contar o que eu vi hoje, 18 de maio de 2011, na estação Santa cruz*:
8h40 estava na plataforma de embarque junto de várias pessoas, inclusive um casal de velhinhos. No auto-falante ouvimos algo como “O próximo trem, com destino ao Tucuruvi, não prestará mais serviços”
Então, o próximo trem com destino ao Tucuruvi chegou, já lotado até a tampa. As pessoas do trem não desceram dele. Continuaram lá, apinhadas, apesar do moço do auto-falante repetir que ele seria recolhido.Não só isso, como gente malandra tentou entrar também. No fim, todos, malandros ou não, tiveram que sair e ocupar a plataforma, já previamente ocupada por nós. Acontece que o nós não se moveu, claro, não queria perder a chance de pegar logo o trem seguinte, mesmo que, pela lógica, o povo que já estava no trem teria preferência. Então ficamos assim: o povo da plataforma sem se mexer e deixar espaço para que o povo do trem saísse dele, e ocupasse a plataforma também. Depois de muito aperto ali, logo na frente da faixa amarela e muito espaço próximo à parede da estação, chegou um novo trem. Também lotado, por que não.

Eu vi entrarem dois caras, os dois de médio/grande porte, digamos assim, um deles munido de duas malas cheias. Enquanto olhava-os entrar reparei numa mocinha de pequeno porte sendo comprimida por um dos grandalhões. Enquanto eles disputavam o espaço inexistente na porta do trem, a galera do corredor seguia tranquila, sem apertos e compressões. Esse trem se foi, outro chegou, e cenas muito parecidas se repetiram. O simpático casal de velhinhos só foi entrar no terceiro trem junto comigo. Como nem eu, nem eles estavamos morrendo de pressa, deixamos os desvairados entrarem na nossa frente, e nos esmagarem e nos atropelarem. Eu só fiquei irritada com tudo aquilo, mas e os velhinhos? Eles tem a preferência não só nos bancos azuis.

Acho engraçado essas mesmas pessoas, que se comportam como búfalos fugindo de leões [nem sei se eles coexistem na cadeia alimentar], falarem que o governo os desrespeita não colocando mais metrôs, mais ônibus, calçadas melhores, ou o que seja. Concordo, é um desrespeito, mas quando NÓS vamos começar a NOS respeitar? Por que como diz a plaquinha no ônibus “Respeitar o idoso é respeitar a si mesmo” e não é só com idosos, grávidas, pessoas com crianças de colo ou pessoas com deficiência física. Respeitar qualquer pessoa a sua volta é respeitar a si mesmo. O que custa todos darem um passo atrás para todos cabermos na plataforma? O que custa esperar mais um trem e não esmagar a mocinha? O que custa dar dois passos pra dentro do corredor, aliviando um pouco a passagem nas portas? O que custa se respeitar?

*Eu sei que isso acontece todo santo dia, em toda santa estação. Isso foi só uma amostra de como não há respeito, mesmo.

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