O pós apocalipse é aqui

Hoje São Paulo está no 3º dia sem abastecimento de combustíveis nos postos da cidade. Passei por algumas avenidas grandes, cheias de postos. Filas e mais filas de carros, muitas até atrapalhando o trânsito. As pessoas estão rodando a cidade [e gastando combustível, claro] atrás de mais gasolina. Só eu acho que isso não faz lá muito sentido? Outra coisa que não faz sentido: Se deve demorar no mínimo mais quatro dias pra reestabelecer o abastecimento, por que as pessoas que estão na reserva não repensam seus modos de andar na cidade? Carona, taxi, ônibus, metrô, bicicleta e a pé são todas opções extremamente válidas, dignas, e já usadas por milhões de pessoas na cidade, quer dizer, não é difícil.

Enquanto passava na frente dos postos me senti num cenário pós apocalíptico, meio Ensaio Sobre a Cegueira, quando o caos todo começa. As pessoas perdem a noção do que realmente é importante e prioritário, se desesperam por um artigo que pode não ser assim tão necessário*. Uma pessoa foi morta hoje num posto, por que ao que parece, ele furou fila. Não é certo, mas morrer por furar uma fila, para comprar gasolina? Nem mesmo Saramago pensaria nisso.

E quando o que estiver em falta no mercado for água potável? Até lá, espero que a humanidade aprenda a distinguir o que é realmente importante para a sobrevivência, e o quanto ela está disposta a prejudicar o outro para conseguir isso.

 

*Estou excluindo carros de bombeiros, viaturas, ônibus e principalmente ambulâncias dessa conta, já que eles precisam rodar para pessoas não morrerem, ou não prejudicarem os seus milhões de passageiros diários.

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