Que é pra te dar coragem

Desde os 11 anos, quando vi a Mel C. das Spice Girls com várias tatuagens sonho em fazer uma pra chamar de minha. Como ninguém, em sã consciência, tatua alguém de 11 anos, sabia que teria que esperar.

Então vieram medos, que se transformaram em fobias e que não me permitiam sequer pensar em fazer um exame de sangue, nem aquela furadinha de diabetes. Agulha e sangue eram motivos de calafrios, desmaios, choros e urros. Então sabia que teria que esperar  mais um pouco.

Me prometi que o dia que fizesse um exame de sangue sem sofrer, iria pensar a sério na tatuagem. Nas tatuagens, porque no passar desses anos a lista de desenhos foi só aumentando. Passei por alguns processos longos e difíceis para parar de ver a agulha, e meu próprio sangue, como inimigos e consegui. Finalmente, no início do ano, o médico pediu o exame, eu fui logo depois fazer, sozinha, não sofri, não desmaiei, tudo correu bem. Cheguei em casa e a primeira coisa que pensei foi: agora posso começar a me tatuar!

Passada essa paranoia pessoal, começaram as paranoias sociais “e se você se arrepender do desenho, e se doer demais, e se você enjoar, e se… e se…” Daí mandei elas pro espaço, marquei com a tatuadora. Doze horas antes do horário marcado, todos esses “e se’s” voltaram com força total. Não ia desmarcar, mas suava, tremia e queria chorar. Dessa vez a agulha era a última coisa na cabeça.

Deitei na maca, a tatuadora fez o trabalho dela, e quando acabou pensei: Sim, doeu, mas não foi aquele absurdo. E não sou uma pessoa diferente do que era antes da tatuagem, não me sinto especial no universo, não me sinto uma motoqueira do mal, não me sinto uma bandida. Nada mudou, só que agora tenho um rabisco, e um belo machucado pra cuidar.

Imagem

Escrevi tudo isso pra dizer o seguinte: as pessoas aterrorizam a gente demais, sobre tudo, mas nesse caso, sobre tatuagem. É dolorido, mas a gente já caiu de bicicleta, já bateu o dedinho na quina da cama, já se queimou. Sobre enjoar, a gente se olha no espelho todo santo dia, e é basicamente a mesma cara olhando de volta, as vezes cansa. Daí mudamos o cabelo, ou a maquiagem, colocamos uma manguinha que cubra o desenho e pronto, passa. Sobre eu ficar velha e me arrepender do desenho, aí eu só vou poder dizer com certeza com o tempo, mas imagino que é como olhar pra uma foto em que seu cabelo está medonho, mas você viveu algo muito incrível, e aquele é o registro. Por mais que a tatuagem não tenha um significado grande, ela marca pelo menos o seu gosto na época, algo que você achou bonito em um momento da sua vida.

Não deixe de fazer uma tatuagem, ou o que quer que seja, pelos comentários negativos e assustadores dos outros. Outros, que provavelmente, nem tem uma tatuagem, ou o que quer que seja, e não sabem direito do que estão falando.

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