365 dias sem comprar

De uns anos pra cá tenho me tornado mais consciente quando o assunto é consumo. Tenho muitas roupas, e com o tempo fui dando, doando, trocando algumas delas. Ainda assim tenho bastante coisa. Eu tenho um grande apego com a maioria das peças: ou foram presentes, ou me lembram momentos marcantes, ou são daquelas coringas e que acho lindas, e uso até estragar.

Quando comecei a planejar a viagem sabia que compraria muita coisa – roupa ou não – nos EUA, então passei a economizar dinheiro, e abrir mão de comprar coisas por aqui, para concentrar as compras lá fora. Com isso, comprei bem menos coisas, me lembro de ter comprado uma sapatilha deliciosa por um preço bacana, uma jaqueta ~de couro~ que vinha sonhando há dois anos, uma bermuda pra fazer pilates/corrida, uma calça verde que era linda demais pra ficar pra trás e algumas outras coisas nesse estilo.
Com essas compras, e a viagem, meu armário está lotado de peças novas. Depois de desfazer as malas, fiz a limpa no armário tirando roupas que não usava há tempos, roupas que tenho menos carinho, roupas velhas, roupas que comprei-uma-peça-que-tem-a-mesma-função-que-essa. Nessas, liberei um gavetão enorme, inteiro.
Aqui, exemplos de compras desmedidas feitas na gringa

Aqui, exemplos de compras desmedidas feitas na gringa

Daí, que enquanto estava lá fora, exatamente por comprar muitas peças novas, percebi que poderia, facilmente passar um ano sem comprar mais roupas. Eu não preciso de mais nada, só me sinto tentada vez ou outra. E essa é a grande coisa desse desafio que estou me propondo. A gente sempre diz que PRECISA daquele sapato LINDO, ou daquele vestido FOFO, mas é mentira, e a gente sabe.
Comecei a ler os posts da Marina e da Lu Monte sobre o ano delas sem consumo pra me inspirar.
Teoricamente era pra eu ter começado logo que voltei, dia 1/10, mas aí comprei um livrinho aqui, umas canetinhas ali, um joguinho acolá, e na prática a brincadeira não começou. E não dá pra começar sem regras.
Eu nem ia fazer posts no blog sobre isso, mas acho um assunto interessante, e assim, com cobrança pública, fico mais atenta às minhas atitudes.
O interessante é que cada um faz suas regras. Cada um consome muito de uma coisa específica: roupa, sapato, bijuterias, livros, cds. Então cada um sabe onde o calo aperta. E qual a necessidade de comprar ou não algum artigo. E também não é pra eu sofrer por causa disso, é pra ser um desafio, sim, mas não estou me punindo por nada.
Chega de enrolar. Aí vai minha lista de regras.
 Não pode
.Roupas (incluindo lingerie, meias e meia-calças);
.Acessórios (bijuterias, sapatos, bolsas);
.Avental;
.Creme pra cabelo;
.Maquiagem;
.Esmalte;
.Eletrônicos;
.Dvds;
.Utensílios de cozinha e enxoval em geral.
 Pode, pero no mucho
.Livro (limite de 1 título por mês SE a pilha de livros estiver baixa/zerada);
.Tatuagem (desculpa, a fila de desenhos tá enorme, e precisa andar);
.Medicamentos e higiene pessoal (inclusive hidratante, porque minha pele é uó, e nessa seca não dá pra viver)
.Material pra receitas;
.Peças de roupa pra reposição: eu vivo com estoque baixo de calças jeans e lingerie, então de tempos em tempos as coisas precisam ser trocadas porque ficam impossíveis de usar (uma calça está querendo furar, vamos aprender a lidar);
.Serviços: Cabelereiro, compra e revelação de filmes, restaurantes, shows, peças de teatro;
.Experiências: o nome roubei da Lu Monte e acho pertinente. É tudo aquilo que faz você feliz: tomar um café com amigos, uma cervejinha, viagens, passeios, etc.
Ok, a lista de compras ficou meio grande, mas são exceções, e em sua maioria são bens não duráveis, ou não palpáveis. A regra da coisa pra mim é NÃO ACUMULAR. E me fazer pensar, na hora de sacar a carteira. Preciso? Está mesmo na lista do Pode? Porque comprar agora? Não pode esperar?
Hoje é dia 5, mas já comecei dia 1 de novembro. Até 31 de outubro de 2015, vigoram essas regras. Valendo!

2 comments

  1. Lu Monte (@lumonte) · November 5, 2014

    A prova de que cada um precisa fazer suas próprias regras: avental no “não pode”. :P

    Uma boa regra geral é só comprar uma coisa quando a outra acabar: um novo hidratante só quando o velho acabar, por exemplo (vale passar pra frente se, por acaso, você odiar o hidratante comprado e não quiser se punir usando-o até acabar). Assim, a gente usa racionalmente o que tem e reduz o espaço que as coisas ocupam em casa.

    “Experiências” é uma expressão que a galera estrangeira costuma usar pra se referir a essas atividades. Eu adoro o conceito. Momentos felizes nunca viram tralha. :)

    O começo do ano sem compras costuma ser difícil. A gente não percebe o quanto é viciada em comprar (mesmo que sejam coisas baratinhas, na base do “ah, eu mereço mais um vidrinho de esmalte”) até se forçar a parar. Depois de uns meses, a gente acostuma. Eu fiz o meu em 2010 (se não me engano) e NUNCA MAIS voltei a comprar como antes. O efeito colateral é que passei a ter abuso de shopping.

    Uma grande vantagem é que a gente passa a valorizar muito mais o que tem – e descobre que tem MESMO bem mais do que precisa.

    No fim das contas, o projeto representa economia financeira, mas acho que o grande ganho mesmo é em autoconsciência e percepção do que realmente a gente ama/quer/precisa/pode viver sem.

    Boa sorte! =)

  2. Pingback: Bagel & Butterbeer – Leve o meu dinheiro! | Mafragafando

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