Carmita

Se é verdade que, ao morrermos vemos toda nossa vida diante dos olhos, eu não sei. Mas sei que, quando alguém querido morre, nós relembramos toda a nossa vida com ela.
As mãos cruzadas no colo, os olhos azulíssimos, o cabelinho arroxeado, sempre bem cuidado, “quer cerveja?” “só um pouquinho”, ” obrigada pelo envelopinho, vó”, o pé empurrando a cadeira de balanço, os vestidinhos de botão, a pele fina, o riso agudo, “ai credo, não tira foto minha!”.

A vida é feita de ciclos mesmo. Quando pequena lembro vagamente da morte da minha bisa. Agora, quem perde a bisa, e não entende bem, são meus sobrinhos. Depois de mais de 90 anos nessa terra, a Carmita foi descansar.
Beijo, vó.

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