Grandes responsabilidades

Se tem uma coisa que eu posso dizer que aprendi com filmes de heróis é que, com grandes poderes, vem grandes responsabilidades.
Obrigada, Tio Ben

Obrigada, Tio Ben

O Grande Poder que o Tio Ben fala pro Peter Parker não é ser um herói, poder salvar o dia, a garota e a cidade [mesmo porque, o Parker nem é o Aranha ainda] mas sim o poder de arcar com as consequências do que você faz.
O Tio Ben estava falando com o Peter sobre a vida adulta. Não sei qual a definição do dicionário para “adulto”, mas pra mim tem muito a ver com ser responsável pelo que eu faço.
Independente se tenho dinheiro pra pagar contas, ou não, ser adulto é assumir o que escolho. É brigar pelo que quero ou não quero. É responder pelo que faço ou deixo de fazer.
Eu, no meu complexozinho de Peter Pan, morro de medo de responsabilidade. Na verdade, morro de medo de desapontar os outros, e quando você assume alguma coisa pra si, pode agradar ou não. Então, se num momento descontrol eu jogo um celular na parede, e ele se espatifa, eu posso fingir que o bicho caiu no chão e estragou, ou falar “fiz o que não devia, agora vou ficar com o celular podre até conseguir comprar um novo” e aí ter que encarar as pessoas falando “ai que loka, jogou o celular na parede, bem feito, vai ficar sem”. Ou não. Dei esse exemplo porque já fiz exatamente isso. Destruí um celular na parede e não assumi que foi isso que aconteceu. Hoje em dia, nos meus momentos descontrol, mesmo com a vergonha que vem, assumo se algo se quebrou,  se precisa de outro ou se dá pra arrumar.
Essa semana, peguei o carro da minha mãe, e trombei o espelho retrovisor num caminhãozinho estacionado com a porta aberta. O espelho virou pra dentro, entrei em desespero, que ia ter que pagar, que não tinha dinheiro, que meu Deus. Daí, o namorado olhou e pluft, encaixou o espelho de volta no lugar. Eu podia não ter falado nada pra minha mãe, mas achei melhor comentar, como quem não quer nada, o que tinha acontecido. E ficou tudo bem. E teria ficado, mesmo se o estrago fosse de verdade, eu tivesse que pagar por aquilo, e minha mãe ficar um dia sem o carro pra concertar.
Demorou pra eu entender que sim, eu sou adulta, e sim eu devo assumir minhas responsabilidades, por menores que elas sejam. E que não, eu não vou frustrar os outros pelas minhas atitudes. No máximo vou me frustrar, e aí é outra história – e muito mais profunda.

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