O dia que percebi que vivi um relacionamento abusivo

Umas semanas atrás mandaram um vídeo no grupo do LuluzinhaCamp falando sobre relacionamentos abusivos. Assisti e adorei a forma da menina falar, e adorei o texto.
O vídeo, que acho todo mundo já viu, é o Não tira o batom vermelho, da JoutJout. Se você não viu, ou quer rever, está aí.

Enquanto dava risada de algumas coisas, outras cutucaram a boca do meu estômago: me lembraram alguns acontecimentos do meu primeiro namoro.

Eu tinha 17 anos, tinha acabado de entrar na faculdade, estava apaixonadinha pelo cara e queria ser amada. Nunca tinha ficado com ninguém, nunca tinha beijado. Isso mesmo, fui BV até entrar na faculdade
Começamos a namorar e tudo era lindo. Ele gostava de mim do jeito que eu era. Eu era quieta, não falava palavrão, não falava alto e quase não ria, não escandalosamente, pelo menos, gostava de ir no cinema ver os filmes que a galera via, gostava de ouvir músicas parecidas com as dele. E eu amava aquele cara, até quando ele estava triste, bravo, quando fechava a cara pra todo mundo. Até pra mim. Eu queria consertar tudo que havia de errado nele.
Eu não fazia muitas piadas. Eu não via muito minhas amigas, elas não gostavam dele, e acho que ele nunca gostou muito delas também. Eu estava sempre com ele. Com os amigos dele. Na casa dele. Com a família dele. Minha família não gostava muito dele, e nem ele gostava muito dela. Então quase não íamos pra minha casa.
Ele me amava, me tratava bem, era sensível, gostava da minha companhia, queria ter uma família comigo.
Éramos felizes. Fomos felizes por 1 ano, e a coisa ficou esquisita, e aí terminamos. E aí todo mundo a minha volta respirou aliviado e eu não entendia porque todo mundo sofria tanto por eu estar com ele.

Os anos passaram, eu namorei outras pessoas, amadureci, percebi o quanto era insegura, e o quanto errei com ele, ou melhor, comigo. Ele também percebeu o quanto errou comigo. E quando comecei a fazer piadas de novo, falava pros outros que eu era uma gueixa, que abaixava a cabeça e ria com a mão na frente quando estava com ele.

Aí mais anos passaram e eu tirei minha carteirinha de feminista, agora saio por aí falando que ninguém é obrigado a ficar num relacionamento abusivo. Que abuso não é só físico. E que eu tive sorte, porque nunca passei por isso.

Aí eu vi o vídeo…
“esse sujeito está te impedindo de sair com seus amigos. Ou está te colocando contra seus amigos e familiares?”
“sempre que vocês brigam, de alguma forma muito estranha, você está sempre errada?” “E você sempre acaba pedindo desculpa?”
“Chantagem emocional”
“Quando você conquista uma coisa maravilhosa o rapaz fica triste?”
“Antes de ficar com ele você era felizinha, e depois de ficar com ele um tempo, você está murcha como uma uva passa?”
“Ele te põe numa bolha de que tudo que não é ele é ruim, que você começa a acreditar nisso”

Pois é. Tudo isso aí é abuso, é uma forma de violência, e aconteceu comigo.
O cara não é um escroto, ele só era inseguro, como eu era insegura. Ele não fazia essas coisas porque ele era mau, e dava gargalhadas de vilão quando eu chorava. Ele provavelmente não percebia como aquilo era ruim, só achava que era assim o jeito certo de se relacionar.
Não é.
NÃO É.
E ninguém precisa viver desse jeito.

Não tira o batom vermelho! Ou roxo, ou preto, ou pink...

Não tira o batom vermelho! Ou roxo, ou preto, ou pink…

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