Na Pressão

Meu trabalho atualmente é bem físico. Fora o plano do dia de “vou começar fazendo tal e terminar fazendo outro tal” preciso pensar muito pouco no que estou fazendo no momento. Na Ioga aprendi que é sempre bom estar no presente, mas isso é um desafio magnânimo pra mim, então, minha cabeça raramente está junto do corpo naquelas 7h20min da função.

Com isso tenho muito tempo de pensar. Em coisas boas e em coisas ruins. Em coisas úteis e inúteis. Em coisas que nunca vão acontecer e em coisas que acontecerão assim que eu sair dali. Quase um ócio criativo. O duro, é que no meio de tantas ideias muitas delas se perdem e eu não consigo desenvolver com papel e caneta na mão, ou um teclado na ponta dos dedos.

Minha cabeça anda a todo vapor, parece uma panela de pressão ali no fogo, esquentando, esquentando, esquentando, mas a válvula parece entupida. Hora ou outra ela explode, jogando feijão no teto, lágrimas pelo rosto, e palavras sem sentido, como essas. Mais um desabafinho que um texto propriamente dito.

Espero conseguir desentupir a válvula, fazendo o calor e a pressão saírem de pouquinho, sem causar grande estrago.

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Comida confortável

Você pode fazer um macarrão delicioso, uma nova receita coreana ou até mesmo um boeuf bourguignon de uma das cozinheiras mais famosas do mundo, mas às vezes, tudo que você realmente precisa é de um brigadeiro de colher.

Corazon Porteño

Em novembro do ano passado fui para Buenos Aires, em companhia de uma das minhas melhores amigas. Por uma semana a cidade foi nossa, bailamos, comemos, bebemos, andamos e nos apaixonamos pela capital portenha, seus predinhos antigos, kioskos, parques e praças.

No fim de julho, essa mesma amiga foi para lá de volta, passar 6 meses estudando. Parte do meu coração foi também. Uma das minhas cidades favoritas tem uma das minhas pessoas favoritas do mundo, são dois amores juntos me tentando a voltar pra lá, me lembrando da feirinha, das medialunas, do cafe con leche, do tango, dos helados.

Agora, quando penso em uma já penso na outra, em como estão se aproveitando, se conhecendo melhor, se divertindo juntas. Não me entendam mal, não estou com ciúmes, é só saudade.

Cry Me a River

Quando alguém chora é por que o que há dentro dela cresceu tanto que ela não consegue mais segurar, daí vira lágrima. Recentemente aprendi que o melhor jeito de passar a vontade de chorar é… chorar. Por tudo que sente pra fora para conseguir se concentrar nas outras coisas. Enquanto os olhos estão cheios de lágrima é só nelas que a gente pensa.

Eu cresci ouvindo pra engolir o choro, e que chorar não resolve nada, mas na verdade resolve sim. Resolve pra mim, e eu só vou poder resolver o problema real, a hora que ele deixar de ser algo assustador.

Mesmo com as pessoas me mandando parar de chorar, e dizendo quão ridículo isso é eu continuo chorando. Muito. Sou mesmo chorona, e isso não me faz mais forte ou fraca que outra pessoa, mais ou menos capaz de fazer meu trabalho.

Temos que perder o medo do choro, não trancá-lo no banheiro. Perder a vergonha também, por que vamos combinar que quando você chora, por mais escondido que esteja, sempre fica com o nariz vermelho inconfundível, não adianta esconder, amiga, todo mundo sabe que você estava chorando.

Da próxima vez que vir alguém querido chorando, mesmo que não seja super próximo, pergunte o que houve ou ofereça seu colo, seus ouvidos. Provavelmente essa pessoa tem muito o que quer dizer, só não tem onde dizer.

 

Esse post é especial pro namorado, que me ensinou quase tudo que eu falei aqui. Obrigada pelos colos, ouvidos e palavras.

Adeus, e obrigado pelos peixes

Estudei a vida toda numa mesma escola (menos em Belo Horizonte, por motivos óbvios) desde o maternal até o 3º colegial. O maternal ficava numa casa bonitinha numa esquina de moema. Lá dentro aprendi a ler, escrever, brincar com amiguinhos e surgiram traços da minha personalidade que duram até hoje. Aquela casinha e seus tanques de areia contam parte da minha história e de muitas outras crianças. Ou melhor contava.

Quase vinte anos depois de sair daquela casinha eu comecei a ir a um bar de paredes verde-amareladas, com espadas, esfihas, Bigode e nerds. Lá o NOB chegou a seu ápice, gente que só se conhecia online ganhava corpo, voz e cerveja. Mas isso também acabou.


Antes do bar, mas bem depois da casinha eu comecei a ir pelo menos uma vez por semana ao cinema, do Cinemark ao Gemini. No meio dessa linha aquele cinema na Rua da Consolação, todo vermelho e bonito. Lá vi dezenas de filmes, e gostaria de ter visto muitos mais, tive conversas importantes, outras nem um pouco relevantes, comi pipoca, café da manhã, tomei coca cola, encontrei várias pessoas. Conheci várias histórias, sejam dos meus amigos, seja de um cineasta francês. Histórias boas, ruins, que gostei ou não. Mas agora essas histórias não serão mais contadas lá.

A escola virou padaria, o bar virou gráfica e esse ano o cinema vai virar loja.
Tudo vai virar lembrança, saudade, história. Toda vez que eu ou muitos dos cinéfilos de São Paulo descermos a Rua da Consolação sentido centro nosso coração vai apertar um pouquinho, lembrando de todas as películas que já correram pelos projetores e pensando que muitas dessas fitas estão desabrigadas, sem um cinema para exibi-las.

Assim como já agradeci ao El Malak, hoje agradeço ao Belas Artes por todas as sessões, diálogos, rostos e cenas. Muito obrigada.

Nos vemos mais uma, quem sabe duas, vezes para nos despedirmos numa última sessão.

Tanto em tão pouco

Como pode um período de tempo ser tanto e tão pouco ao mesmo tempo?

Um ano é muito por que hoje em dia quaisquer 3 meses juntos é motivo pra festa, é pouco por que a gente sabe que é só o começo.

É muito por já sabermos tanto um do outro, tão pouco por que ainda falta muito pra descobrir.

Pouco por que faltam tantas coisas para fazermos juntos, tanto por já termos feito de um muito juntos.

Tanto tempo passado juntos, mas tantos outros tempos pra ficarmos juntos…

A mulher sem medo… Ou não

Eu sou uma pessoa muito medrosa. Sempre fui. Sempre vou ser. Mas alguns medos não precisam existir. Racionalmente você sabe que aquilo não vai te fazer mal, mas é mais forte que você. Você fica paralisado, sua frio, treme, até desmaia.
Eu tenho medo de altura, de sangue, de agulha e de avião, entre outros.
Mais cedo ou mais tarde alguma dessas coisas que você tanto teme aparece na sua frente, esteja esperando por isso ou não (normalmente não).
No começo do ano fiquei semanas doente, então o médico pediu um exame de sangue. Entrei em pânico, chorei, esperneei, me contorci e retorci, no fim das contas não pude fugir e dei meu lindo sangue pro hospital fazer os exames que tinha que fazer.

Depois de muito me contorcer por dentro e pensar a respeito, percebi que não adianta fugir a vida toda dessas coisas, então é melhor que eu saiba enfrenta-las quando aparecerem de surpresa no caminho, pra isso resolvi me voluntariar a enfrentar algumas coisas.
Mês passado andei num teleférico, tremi, morri de medo, a pressão caiu, mas cheguei viva no final. Semana passada fiz um exame de sangue que o médico tinha pedido, fiz drama, quase desisti, quase quebrei a mão do namorado, mas cheguei viva no final ( com o braço roxo-esverdeado)
Daqui um mês e meio vou pegar um avião rumo a Argentina, vou fazer drama, minha pressão vai querer cair, mas eu sei que não vou morrer, que vou fazer uma viagem ótima e mais que isso, vou me sentir vitoriosa.
Para todo o resto da humanidade não vai ser nada, a vida de vocês, queridos leitores, não vai mudar quando eu tiver enfrentado tudo isso, mas todos vocês tem seus medos, pavores e pânicos e devem saber do que eu estou falando.

Ter medo é bom pra continuidade da raça humana, mas muitas vezes não é nada bom pra continuidade da sua vida.

Ps.: não me voluntareei a nenhuma das situações temidas, mas elas apareceram na minha frente. Podia nega-las, ignora-las, mas decidi que era pra um bem maior