Bagel & Butterbeer – Lar doce lar

Fechadas as datas da viagem, passagens na mão, fomos atrás de estadia. Antes disso eu já tinha sondado alguns albergues, hotéis barateiros e o site do Airbnb, e concluído que alugar um quarto, ou um apartamento era a opção mais em conta para o trecho novaiorquino da viagem.

Sim, alugar através do Airbnb é, na maioria dos casos, mais barato que as opções tradicionais de estadia. Por isso, há uns tempos, a rede hoteleira tentou proibir o aluguel através do site em NY, as grandes empresas estavam se sentindo ameaçadas. Coitadas.
Williamsburg Bridge, do lado de casa

Williamsburg Bridge, do lado de casa

O Airbnb tem milhares de opções de cômodos. De um quarto dos fundos até um palácio [ok, não tem palácio em Nova York, mas tem isso aqui] então, tem pra todos os gostos, e você consegue pesquisar no site os mínimos detalhes da acomodação.
Funciona assim: você fornece a cidade, as datas e o número de hóspedes, depois o quanto está disposto a pagar por isso, por dia. Essa é a busca mais básica, mas depois consegue definir os bairros que mais te interessam, as comodidades como tv, internet sem fio e lavadora de roupas, etc.
Quando você encontrar um lugar que te agrade, precisa saber se é de confiança, afinal, o Airbnb sempre monitora os perfis pra garantir que a coisa seja real, mas sempre existe aquele caso das fotos não serem exatamente fieis ao lugar. Para atestar o nível de confiança de um host o perfil tem comentários, positivos e negativos, dos hóspedes, e as vezes as respostas dos donos. Depois que você faz o check out, o site manda email pedindo para você relatar sua estada, assim você ajuda mais gente a fazer uma boa viagem.
E antes de fechar, você pode mandar perguntas pro dono do lugar, aí você já consegue medir se o cara é bacana e atencioso. Eu entrei em contato com umas três pessoas, inclusive a dona de onde nos hospedamos, e ela foi a que respondeu mais prontamente, e de forma mais aberta. Já ganhou um ponto aí.
Se é seu primeiro aluguel talvez você tenha um pouco de dificuldade, por que assim como o viajante avalia a acomodação e o anfitrião, você também é avaliado. No primeiro aluguel, você não tem ninguém comprovando que é uma pessoa limpinha e bacana. Mas, é só ser simpático, dizer que é a primeira vez que está usando o site e mostrar que tem boas intenções que vai ficar tudo bem.
Tudo conversado, hora de fechar o negócio: Você paga para o Airbnb o valor integral da estadia, mas esse dinheiro só vai ser liberado para o anfitrião 24h depois do seu check in. Assim, se você chegar no lugar e não for NADA do que esperava, você entra em contato com o site, desfaz o contrato, pega o dinheiro de volta e… bem, aí você tem que se virar pra achar outro lugar pra ficar. As chances de isso acontecer são pequenas, se você prestou atenção nas avaliações já sabe mais ou menos o que esperar.
Nossa cama =]

Nossa cama =]

Na casa em que ficamos, pelas fotos, achei que o quarto seria um pouquinho maior, mas o espaço serviu perfeitamente para nós, nossas compras e malas. A anfitriã nos tratou muito bem, dava dicas de lugares e como chegar lá, fez com que nos sentíssemos em casa, e realmente, a impressão que eu tenho, é que agora tenho uma casa em NY, sempre que quiser ir pra lá. Se você ficou com vontade de se hospedar com a Lulú, esse é o quarto que ficamos, e a casa ainda tem mais um, maior. Ah, e você ainda pode alugar o apartamento inteiro.
Airbnb é uma ótima alternativa aos hoteis e hostels, vale a pena pesquisar, independente de para onde você estiver indo. Ah, e se você estiver com grana e indo para a Europa, veja se consegue se hospedar em algum castelo.
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São Só Garotos

DLTigre

O mês de setembro foi o mês da Bagel & Butterbeer American Tour, então quis um livro para o Desafio Literário do Tigre que misturasse o tema do mês – música – e o meu tema do momento: Nova York.

Só Garotos

Pedi sugestões e a Rê Correa falou do Só Garotos, da Patti Smith. Fui atrás, li a resenha, gostei. Mesmo sem saber bem quem era a Patti na noite. Comecei a ler e rapidamente mergulhei na história da artista. Patti conta seus primeiros anos em NY, seu encontro e sua vida com Robert Mapplethorpe: amigo, amante, muso e artista.

O livro me causou dezenas de sentimentos, me vi refletida nos desejos e sonhos dela na ânsia dela e de Robert de se tornarem artistas, de terem seus trabalhos reconhecidos. Mas deixarei meus sentimentos de lado, por enquanto, fica pra outro texto.

Patti te leva aos meios, nem sempre glamurosos, de artistas de várias áreas: músicos, artistas plásticos, fotógrafos, video makers e afins estavam entre seus amigos e vizinhos. De artistas desconhecidos até Andy Warhol e Janis Joplin.

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De música tem mesmo só uma pincelada, acabamos lendo mais de arte em geral, e da cena artística de NY dos anos 70. Tudo isso é delicioso, mas o que mais chama a atenção é o relacionamento e o amor que Patti e Robert constroem.

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Um amor e respeito lindos. Tantas coisas acontecem com eles no decorrer da história, tantas mudanças, mas tudo parece ter acontecido de uma forma natural gerando uma amizade única, que faz bem aos dois. Uma forma de amor que hoje, 40 anos depois, é dificil de muita gente entender e respeitar.

Só Garotos é um livro cheio de amor e arte. Mesmo sem saber quem são Robert e Patti na noite, ou não gostando muito de suas obras, Só Garotos é um livro inspirador.

Que Loucura!

DLTigre

Por dois meses seguidos o Desafio Literário do Tigre me pegou. Primeiro foi o livro sobre esportes, um tema que nunca me cativou nas páginas ou na vida real, então, acabei nem tendo inspiração pra escrever sobre o que li. E em agosto, o tema Risos. Eu gosto de dar risada, faço minhas anedotas, mas ler um texto que me faça rir é estranho.

Mas lá fui eu caçar um autor que pudesse me botar um sorriso nos lábios. Por indicação do meu leitor voraz favorito, cheguei ao Woody Allen. Woody Allen é uma figura confusa na minha cabeça: vi poucos filmes mas gosto deles, sou apaixonada por Meia Noite em Paris, acho a figura dele engraçada [há quem diga que meu filho será ele], mas a vida amorosa/sexual dele é esquisita. Eu sei, eu sei, não é da minha conta com quem ele dorme, ou deixa de dormir, mas se envolve abuso e violência, eu fico cabreira.

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O escolhido foi Que Loucura. Com o livro nas mãos pensei “ele é bom em contar histórias, vamos suspender essa confusão da vida pessoal dele, e dar uma chance ao rapaz”. Então, abri o livro de contos na primeira história: Retribuição. Woody conta a história de um judeu, jovem, inábil socialmente, onde será que já vi isso?! que se apaixona por uma moça, namora a moça, e então se apaixona pela mãe dela, e fica até meio obcecado por ela. Tudo que era pra ser engraçado, me embrulhava o estômago, pois lembrava justamente a história do autor que eu estava tentando suspender. 

Passado o desconforto do primeiro conto, os demais foram bem mais agradáveis.

Enquanto lia, só lembrava da cena de Meia Noite em Paris com Buñuel, Dali e Gil, personagem de Owen Wilson. A escrita de Woody não faz sentido, segue uma lógica própria, assim como a arte surrealista. Mais irônico do que propriamente engraçado, o livro dá um nó na cabeça pelas histórias contadas, normalmente em primeira pessoa.

Meu texto favorito? O Caso Kugelmass, em que o personagem, entediado com sua esposa, encontra um mágico e seu armário, que o transportam para dentro de Madame Bovary, onde o rapaz se encanta por Emma, e vive um romance lindo, e claro, atrapalhado. 

Não foi das minhas leituras favoritas para o desafio, mas me apresentou a esse gênero literário que até então eu ignorava, o surrealismo. O título em português faz jus às histórias contadas.

Just Do It

Tem alguns anos eu e o namorado falávamos de ir pra Nova York, ir pra Disney, ir pros Estados Unidos da América, mas não saíamos disso. Do falar.

Então, numa noite de setembro de 2013 falei pra ele “vamos fazer essa viagem ano que vem? Planejar, organizar, economizar, se ferrar de pagar coisas, e fazer mesmo essa viagem?” E ele disse sim. E assim começou o planejamento da, que veio a se chamar, The Bagel & Butterbeer American Tour [eu nomeio minhas viagens, ok? Ok.]
 NY
Um ano, certinho do início da ideia, até embarcarmos no avião. Ainda não saímos do Brasil, este é um post pré viagem. Talvez faça um post pós. Veremos.
Esse post pré é pra dizer: É possível. Não é fácil, mas fazer o que você tem vontade é possível. Por mais caro e trabalhoso que seja, se você se dedica e tem paciência, a coisa pode sim virar.
“Ah, mas eu ganho tão pouco” Cara, eu ganho menos de dois salários mínimos. Em um ano fazer uma viagem internacional é possível. Não vou comprar todas as maquiagens da MAC, não vou trazer quilos de roupa das lojas de NY ou dos Outlets de Orlando, mas sei que vou me divertir, vou aproveitar o máximo que meu tempo e meu dinheiro deixarem.
Você ganha menos que isso? Tudo bem, se planeje com uma antecedência maior, procure bicos, freelas, passe uns dias dormindo pouco e trabalhando muito. Procure outro emprego.
Tem muitas contas pra pagar? Ok, isso acontece. Eu sou sortuda e moro com meus pais [ainda], mas me desfiz das coisas mais irrelevantes: das contas de R$120 de celular por mês, virei pré pago e gasto no máximo R$35. Cancelei o cartão de crédito internacional, com sua anuidade gigante, e fiquei com o nacional, que até me devolveu a diferença já paga na anuidade. Diminua o tempo no banho [conta de luz e de água menores. check] troque uma Pringles por uma Ruffles. Troque o cinema pelo Netflix. Troque o rolê no bar por chamar os amigos e beber em casa. Você não precisa virar um ermitão pra fazer o que quer, é só fazer algumas concessões. Nesse ano deixei de fazer alguns rolês, de comprar algumas coisas, mas não fiquei contando moedas, nem isolada dos amigos, nem me arrependi do que não fiz ou não comprei.
A gente aprende a abrir mão das coisas, mesmo que temporariamente, ainda mais quando se tem um objetivo. Um sonho. Chame como quiser. É
Aquele ponto no horizonte onde você olha e fala “é pra lá que eu vou” e vai.
Então, pense nisso, e vai.

A cultura do “mas já?”

Não importa onde você trabalhe, todo mundo já falou, ou ouviu, na hora de ir embora do trabalho um “mas já?” ou, “tá cedo!” ou o melhor “tá desmotivado?”.
Isso, que as pessoas falam em tom de piada inocente, só deixa claro o quanto é esperado que nós nos dediquemos ao máximo nos nossos postos de trabalho.
Quando trabalhava em agência, e o horário de saída era “entre 19h, 20h”, sair, de fato, essa hora era raro. Normalmente as pessoas saíam as 20h, 21, 22, 23… Então, aquele dia que eu conseguia responder todos os emails, alinhar com atendimento, me reunir com mídia, preencher a timesheet e desligar o PC às 19h, de verdade, sentia um pouco de culpa, aquela sensação de estar esquecendo algo. E ouvia dos colegas, quase em coro ” ta desmotivada é?”
Dava uma risadinha e respondia “pois é!” ou “de vez em quando é bom”
[…]
Hoje em dia trabalho em um mercado, com pessoas bem diferentes dos colegas de agência de outros tempos. Todo mundo bate cartão na hora de entrar, no almoço, e na hora de sair. Todo mundo tem a mesma carga horária. Cada um tem seu horário de entrar, e seu horário de sair, de acordo com seu turno. Meu horário de saída é às 20h20.
Quase todos os dias bato meu ponto depois das 20h20. Pode ser às 20h21 ou às 22h00. Quase todos os dias, depois de cumprir minha carga diária, controlada pelo RH através do cartão de ponto, tem uma pessoa que fala “tá cedo!” “mas já?”
Ainda dou risadinhas, mas agora digo “já tá é tarde” e corro pra casa.
 
Eu fiz meu trabalho. Eu cumpri minha carga horária do dia. Eu não devo satisfação a ninguém. Ninguém deve.
Então, vamos parar com o comentariozinho boboca? Falemos só “Bom descanso”, “aproveite” ou, simplesmente “até amanhã”.
Quem tem que julgar, baseado no meu desempenho e nos meus horários são os chefes, e só eles. Então vamos parar de acumular serviço? Vamos parar de reforçar que todo mundo tem mais é que se matar de trabalhar nessa vida? Por que não tem não.

Que é pra te dar coragem

Desde os 11 anos, quando vi a Mel C. das Spice Girls com várias tatuagens sonho em fazer uma pra chamar de minha. Como ninguém, em sã consciência, tatua alguém de 11 anos, sabia que teria que esperar.

Então vieram medos, que se transformaram em fobias e que não me permitiam sequer pensar em fazer um exame de sangue, nem aquela furadinha de diabetes. Agulha e sangue eram motivos de calafrios, desmaios, choros e urros. Então sabia que teria que esperar  mais um pouco.

Me prometi que o dia que fizesse um exame de sangue sem sofrer, iria pensar a sério na tatuagem. Nas tatuagens, porque no passar desses anos a lista de desenhos foi só aumentando. Passei por alguns processos longos e difíceis para parar de ver a agulha, e meu próprio sangue, como inimigos e consegui. Finalmente, no início do ano, o médico pediu o exame, eu fui logo depois fazer, sozinha, não sofri, não desmaiei, tudo correu bem. Cheguei em casa e a primeira coisa que pensei foi: agora posso começar a me tatuar!

Passada essa paranoia pessoal, começaram as paranoias sociais “e se você se arrepender do desenho, e se doer demais, e se você enjoar, e se… e se…” Daí mandei elas pro espaço, marquei com a tatuadora. Doze horas antes do horário marcado, todos esses “e se’s” voltaram com força total. Não ia desmarcar, mas suava, tremia e queria chorar. Dessa vez a agulha era a última coisa na cabeça.

Deitei na maca, a tatuadora fez o trabalho dela, e quando acabou pensei: Sim, doeu, mas não foi aquele absurdo. E não sou uma pessoa diferente do que era antes da tatuagem, não me sinto especial no universo, não me sinto uma motoqueira do mal, não me sinto uma bandida. Nada mudou, só que agora tenho um rabisco, e um belo machucado pra cuidar.

Imagem

Escrevi tudo isso pra dizer o seguinte: as pessoas aterrorizam a gente demais, sobre tudo, mas nesse caso, sobre tatuagem. É dolorido, mas a gente já caiu de bicicleta, já bateu o dedinho na quina da cama, já se queimou. Sobre enjoar, a gente se olha no espelho todo santo dia, e é basicamente a mesma cara olhando de volta, as vezes cansa. Daí mudamos o cabelo, ou a maquiagem, colocamos uma manguinha que cubra o desenho e pronto, passa. Sobre eu ficar velha e me arrepender do desenho, aí eu só vou poder dizer com certeza com o tempo, mas imagino que é como olhar pra uma foto em que seu cabelo está medonho, mas você viveu algo muito incrível, e aquele é o registro. Por mais que a tatuagem não tenha um significado grande, ela marca pelo menos o seu gosto na época, algo que você achou bonito em um momento da sua vida.

Não deixe de fazer uma tatuagem, ou o que quer que seja, pelos comentários negativos e assustadores dos outros. Outros, que provavelmente, nem tem uma tatuagem, ou o que quer que seja, e não sabem direito do que estão falando.

Never Say Die

~Prólogo~

Depois de mais de um ano sem postagens resolvi voltar pra esse meu canto, como já fiz várias vezes, já não prometo que vou escrever sempre, uma vez por semana, todos os dias. Não, não vou me colocar mais essa obrigação. Já inventei coisas demais pras minhas horas livres de menos e não quero me irritar porque “ah, meu deus, não postei no blog, ó que inferno!”, quero mais “ah, que legal, consegui escrever um pouco”. 

~-.-~-.-~-.-~-.-~-.-~

Volto pra cá pra falar do último livro que eu li, pro Desafio Literário do Tigre, esse mês o tema era Filme ou Livro?. E aí, eu fiz o caminho contrário, escolhi um livro que foi escrito a partir do filme. Tipo, a partir mesmo, algumas falas dos personagens são exatamente iguais às do filme. Os Goonies, lá dos anos 80 foi criado pelo Steven Spielberg, roteirizado pelo Cris Columbus, e dirigido pelo Richard Donner, sempre com Spielby na cola, pra garantir que tudo saísse como ele tinha pensado.

Quase 30 anos depois do lançamento do filme, James Kahn escreveu o livro, contando a mesmíssima história do filme, com tudo que nós adoramos: as armadilhas, o Sloth, o órgão de ossos, só que tudo é contado do ponto de vista do Mikey Walsh, o que já dá uma bela diferença. O filme já é sensacional, a gente já adora todos aqueles moleques, daí lemos o livro e nos sentimos mais Goonies ainda. Eu fiquei muito mais emocionada e motivada pra ir atrás daquele tesouro do Willy Caolho, afinal, estou na pele do Mikey. Vou ser despejado por conta do clube dos ricos metidos da cidade, não vou mais ver meus amigos, nunca vivi nenhuma grande aventura na vida, fico doente por qualquer ventinho, estou sendo perseguido por uns assassinos…

Goonies

O tesouro vira um detalhe, o negócio é a aventura, mais que a aventura, é a amizade. Acho que o que torna o livro mais legal que o filme [na minha humilde opinião] é sentir o carinho que o Mickey tem pelos amigos, por mais que o Bocão seja meio babaca, o Gordo desastrado, o Dado não consiga fazer nenhuma invenção funcionar direito, o Brand seja o típico irmão mais velho, e as meninas não acreditam que são Goonies também. Eles descobrem o quanto são importantes na vida uns dos outros, inclusive ele fala disso num trecho do livro, mas não vou quebrar a magia ;) No livro ele explica bem o que é ser um Goony, e bem, no final, você também vai estar fazendo o Juramento Goony:

Eu Jamais trairei meus amigos das Docas Goon,

Juntos ficaremos até o mundo inteiro acabar,

No céu, no inferno e na guerra nuclear,

Grudados feito piche, como bons amigos iremos ficar,

No campo ou na cidade, na floresta, onde for,

Eu me declaro um companheiro Goony

Para sempre, sem temor.