Sábado aconteceu a segunda Marcha das Vadias em várias cidades do mundo, inclusive em São Paulo. Para saber o que é a Marcha veja aqui, e para ver fotos é só procurar nos principais canais de notícia.
Eu fui à Marcha porque tenho medo de sofrer violência quando ando em certos lugares, ou com certas roupas. Porque já ouvi, de dentro de kombis cheias de trabalhadores ou de carros novos e caros, um “fiufiu”, um “Princesa” ou um simples “Oi”. Fui à Marcha nem tanto por mim, mas pelas mulheres de Queimadas, pela Maria da Penha, por todas as mulheres cujas histórias de violência eu já ouvi, e por todas as outras que não passaram por isso, nem devem passar.
Nunca havia participado de nenhuma manifestação. Na adolescência quase fui revoltadinha, e aí passou e eu fiquei totalmente apática e descrente e achando toda a minha geração bem sem graça de nunca ter saído às ruas de cara pintada pra lutar por qualquer coisa.
Agora, depois que eu cresci, as pessoas voltaram a fazer protestos, marchas e lutas, mas as causas nunca me tocaram. O mais próximo que cheguei de uma manifestação tinha sido na parada Gay de Buenos Aires – muito mais politizada que a nossa, assim como 90% da população vizinha – e foi meio que sem querer, apesar de eu sempre ter defendido a causa.
Aí ouvi falar dessa Marcha das Vadias, no ano passado, mas por algum motivo, e talvez por achar que eu não fosse tão importante para o movimento, eu não fui. Esse ano a Marcha voltou a bater a porta e eu pensei: Porque não? Sou só mais uma, sim, mas comigo aquela conta de participantes da polícia militar pode ter sido arredondada pra cima, não pra baixo. Fui só mais uma mas estou aqui, falando disso e talvez ano que vem eu multiplique isso, seja mais 2, mais 3, mais 10. E assim, aos poucos a Marcha e a consciencia crescem.

Foto: Cecilia Santos
Durante a marcha fiquei emocionada, senti que se não me segurasse eu ia chorar. Fazer parte, fazer a diferença, por menor que fosse, me deu uma sensação muito boa, ajudando de verdade uma coisa que eu acredito, e que acho que todo mundo deveria acreditar também.Ver a senhora no ônibus cantando junto com a gente, a motorista gritando de seu carro “é verdade! É verdade!” me deixou arrepiada.
De alguma forma, mesmo sendo só mais uma na Marcha, saber que posso ter feito a diferença na vida de alguém faz eu me sentir bem. Não é a sensação do dever cumprido, mas sim que é só o começo, que ainda posso fazer muito mais.