Daqui pro futuro

Eu não costumo fazer resoluções de ano novo nem escrever neste blog, mas fiquei aqui pensando com meus botões sobre 2012 e em tudo de diferente que, coincidentemente, veio com esse novo ano e percebi que o mote é Daqui Pro Futuro.
Por uma razão desconhecida sempre achei esse título do album do Pato Fu interessante. E ele pulou na minha cabeça enquanto pensava em tudo que quero – e vou – fazer neste ano.
Tudo de “grande” que está nos meus planos é pra colher frutos nos próximos anos. Nada é pra já. É muito importante e difícil alguém ansioso perceber e aceitar isso.

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Que comece 2013, daqui pro futuro

Diário de bike – Dia 2

Hoje, depois de mais de uma semana, consegui finalmente andar de novo com a Omarilda – sim, a bike já virou uma travesti. E como já previa, o passeio já começou burocrático:
Como falei no outro post, aqui no prédio é um bicicletário coletivo, precisa da chave, etc..
Desci, pedi a chave, e fiquei uns cinco minutos esperando um dos funcionários do prédio ir lá. Lição nº1 do dia: Não dá pra sair com pressa.
Na hora que o moço tirou a bicicleta do gancho pra mim, ele falou “o pneu tá murcho” e quando eu peguei a dita cuja ele tava assim. Quer dizer, quando houver tempo, vou levar pra ver o que há de errado. Hoje, só passei no posto, enchi e fui andar um pouco, afinal, uma semana de bike parada é injusto.
Foi um desastre. Ok, não foi um desastre porque cheguei inteira em casa, mas não consegui subir a ladeira da minha rua, nem da paralela. Não existem forças nas minhas pernas então tive que me adaptar: eu queria ir num mercado no alto da rua, não fui, fui no mercado caro no fim da rua – Que é metido a verdinho, mas não tem onde estacionar as bicicletas. Tive que prender na grade do estacionamento mesmo.
Acabou que andei só no plano, numa avenida até que movimentada. No fim, deu tudo certo, mas não do jeito planejado.

Diário de bike – Dia 1

Sábado, dia 29, peguei uma bicicleta emprestada através do Coletivas. Grupo de empréstimo de magrelas, bem legal pra quem, como eu, não tem grande prática, mas quer andar mais de bike.
Eu sonho com uma São Paulo em que usar a bicicleta como meio de transporte não deixe minha mãe em pânico. Por isso fui atrás do Coletivas, de um capacete (valeu, Si) e de um cadeado. Vou contar um pouco dos sufocos e vantagens dessa experiência.
 
Peguei o Omar (esse é o nome da ~minha~ bicicleta) perto da Av. Paulista num sábado, depois das 14h porque é um horário em que é permitido levar bike no metrô. Meu plano, que foi executado, era empurra-la até o metrô, fazer a viagem com ela, e só no ultimo trecho, do metrô até minha casa, realmente pedalar.
Ciclistas de 1ª viagem saibam: dá um trabalhão carregar a magrela no metrô. Preparem os muques, eles serão muito usados.
 
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Moro num prédio que tem bicicletário coletivo. A chave fica com o porteiro e, teoricamente, ele sempre te acompanha pra guardar ou pegar a bike. O que garantiria que ninguém vai pegar a bicicleta alheia “por engano”. Só que cada hora me davam uma informação diferente, e no fim das contas eu fui lá pendurar o Omar sozinha. E o condomínio não fornece nada pra identificação da bicicleta, como um dos caras tinha me falado.
 
Agora a parte mais importante: pedalar na rua. As ruas perto de casa são tranquilas, principalmente de fim de semana, fora o trecho logo depois de sair do metrô, e nesse começo empurrei a bike mais um pouco. Depois, subi na bike e fiz tudo que se deve fazer em cima da bike: Dei seta com a mãozinha, fiquei do lado direito da rua, e por aí vai. No caminho ouvi buzinas que imaginei serem pra mim. E passei por situações pouco agradáveis: motoristas não abrindo um bom espaço para ultrapassar, SUVs fungando no cangote e dando frio na barriga.
 
Não foi fácil, mas não vou desistir. Ainda fico com o Omar pelo menos mais um mês, vamos ver como será.

A Marcha desta Vadia

Sábado aconteceu a segunda Marcha das Vadias em várias cidades do mundo, inclusive em São Paulo. Para saber o que é a Marcha veja aqui, e para ver fotos é só procurar nos principais canais de notícia.

Eu fui à Marcha porque tenho medo de sofrer violência quando ando em certos lugares, ou com certas roupas. Porque já ouvi, de dentro de kombis cheias de trabalhadores ou de carros novos e caros, um “fiufiu”, um “Princesa” ou um simples “Oi”. Fui à Marcha nem tanto por mim, mas pelas mulheres de Queimadas, pela Maria da Penha, por todas as mulheres cujas histórias de violência eu já ouvi, e por todas as outras que não passaram por isso, nem devem passar.

Nunca havia participado de nenhuma manifestação. Na adolescência quase fui revoltadinha, e aí passou e eu fiquei totalmente apática e descrente e achando toda a minha geração bem sem graça de nunca ter saído às ruas de cara pintada pra lutar por qualquer coisa.

Agora, depois que eu cresci, as pessoas voltaram a fazer protestos, marchas e lutas, mas as causas nunca me tocaram. O mais próximo que cheguei de uma manifestação tinha sido na parada Gay de Buenos Aires – muito mais politizada que a nossa, assim como 90% da população vizinha – e foi meio que sem querer, apesar de eu sempre ter defendido a causa.

Aí ouvi falar dessa Marcha das Vadias, no ano passado, mas por algum motivo, e talvez por achar que eu não fosse tão importante para o movimento, eu não fui. Esse ano a Marcha voltou a bater a porta e eu pensei: Porque não? Sou só mais uma, sim, mas comigo aquela conta de participantes da polícia militar pode ter sido arredondada pra cima, não pra baixo. Fui só mais uma mas estou aqui, falando disso e talvez ano que vem eu multiplique isso, seja mais 2, mais 3, mais 10. E assim, aos poucos a Marcha e a consciencia crescem.

Marcha das Vadias

Foto: Cecilia Santos

Durante a marcha fiquei emocionada, senti que se não me segurasse eu ia chorar. Fazer parte, fazer a diferença, por menor que fosse, me deu uma sensação muito boa, ajudando de verdade uma coisa que eu acredito, e que acho que todo mundo deveria acreditar também.Ver a senhora no ônibus cantando junto com a gente, a motorista gritando de seu carro “é verdade! É verdade!” me deixou arrepiada.

De alguma forma, mesmo sendo só mais uma na Marcha, saber que posso ter feito a diferença na vida de alguém faz eu me sentir bem. Não é a sensação do dever cumprido, mas sim que é só o começo, que ainda posso fazer muito mais.

Nota

Outro dia uma prima de terceiro grau estava em casa e ficamos conversando sobre a família, afinidades, etc.. Então falamos sobre uma tia que morreu quando eu ainda estava na barriga da minha mãe. Faltavam uns 3 meses para eu nascer, ela e o marido seriam meus padrinhos. Mas aí, coisas aconteceram e ela se foi, antes que pudesse conhecê-la.

Alguns anos antes disso meu avô, pai dessa tia e da minha mãe, faleceu. Ou seja, também não o conheci.

Mas minha mãe adora contar histórias, causos, acontecidos da família, dela, do meu vô e alguns dessa tia. E sempre que eu as ouço penso como queria ter conhecido esses dois. E quanto mais ouço da minha tia, mais tenho certeza de que ia me dar bem com ela. Mais sinto saudade dela. Não entendo como é isso, de sentir saudade de alguém que eu nunca vi, de algo que nunca senti, só sei que sinto e pronto.

Tia Lu

Também tenho saudade do meu avô, de ter escutado todas as histórias da boca dele, ter ouvido as piadas ruins, ter visto ele com seus presentes de natal.

Talvez, se tivesse os conhecido eu fosse achar as piadas dele ridículas e as hitórias dela um exagero. Fico então com minha tia e meu avô como eu os imagino, de um jeito que é só meu.

O pós apocalipse é aqui

Hoje São Paulo está no 3º dia sem abastecimento de combustíveis nos postos da cidade. Passei por algumas avenidas grandes, cheias de postos. Filas e mais filas de carros, muitas até atrapalhando o trânsito. As pessoas estão rodando a cidade [e gastando combustível, claro] atrás de mais gasolina. Só eu acho que isso não faz lá muito sentido? Outra coisa que não faz sentido: Se deve demorar no mínimo mais quatro dias pra reestabelecer o abastecimento, por que as pessoas que estão na reserva não repensam seus modos de andar na cidade? Carona, taxi, ônibus, metrô, bicicleta e a pé são todas opções extremamente válidas, dignas, e já usadas por milhões de pessoas na cidade, quer dizer, não é difícil.

Enquanto passava na frente dos postos me senti num cenário pós apocalíptico, meio Ensaio Sobre a Cegueira, quando o caos todo começa. As pessoas perdem a noção do que realmente é importante e prioritário, se desesperam por um artigo que pode não ser assim tão necessário*. Uma pessoa foi morta hoje num posto, por que ao que parece, ele furou fila. Não é certo, mas morrer por furar uma fila, para comprar gasolina? Nem mesmo Saramago pensaria nisso.

E quando o que estiver em falta no mercado for água potável? Até lá, espero que a humanidade aprenda a distinguir o que é realmente importante para a sobrevivência, e o quanto ela está disposta a prejudicar o outro para conseguir isso.

 

*Estou excluindo carros de bombeiros, viaturas, ônibus e principalmente ambulâncias dessa conta, já que eles precisam rodar para pessoas não morrerem, ou não prejudicarem os seus milhões de passageiros diários.

Comida confortável

Você pode fazer um macarrão delicioso, uma nova receita coreana ou até mesmo um boeuf bourguignon de uma das cozinheiras mais famosas do mundo, mas às vezes, tudo que você realmente precisa é de um brigadeiro de colher.